Operações de distribuidoras que serão privatizadas estão entre piores do país

Nicola Pamplona – Folha de São Paulo

10/11/2017  02h00

As distribuidoras da Eletrobras que serão privatizadas estão entre as piores do país em qualidade no fornecimento de energia elétrica. Para analistas, o mau desempenho é provocado por décadas de baixos investimentos e alta ingerência política.

De acordo com o ranking de qualidade elaborado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a única delas com resultado acima da média é a Amazonas Energia, que ficou em 9º lugar na lista de 32 distribuidoras com mercado superior a 400 mil unidades consumidoras.

As outras três que se enquadram nesta categoria, Cepisa (Piauí), Ceron (Rondônia) e Ceal (Alagoas) ocupam, respectivamente, a 23ª, a 28ª e a 29ª colocações.

O ranking considera a frequência de interrupções e a demora para restabelecer o fornecimento de energia durante o ano de 2016.

Eletroacre e Boa Vista Energia (Roraima) ocupam a 27ª e a 29ª posição na lista de 30 empresas com menos de 400 mil clientes. A última posição foi dada à Forcel, que opera em Santa Catarina, por que a empresa não apresentou dados certificados.

A busca por maior qualidade é um dos argumentos do governo para privatizar as companhias. Para o mercado, é uma chance também de romper décadas de controle por grupos políticos estaduais, que por anos tiveram influência nas indicações de administradores.

“A venda destas empresas é importante para garantir a entrada de investidores que tenham capacidade e conhecimento para melhorar esses índices”, avalia o professor Nivalde de Castro, do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da UFRJ.

Especialistas citam os casos da Cemar (Maranhão), que teve expressivo ganho de qualidade quando o controle foi para grupos privados.

Após um início conturbado, com a troca de controle apenas quatro anos após a privatização, em 2000, a empresa controlada pelo grupo Equatorial está há anos nas primeiras colocações no ranking de distribuidoras com mais de 400 mil clientes –há dois anos, é a líder.

A Equatorial é apontada pelo mercado como possível interessada nas distribuidoras da Eletrobras, ao lado da italiana Enel e da chinesa State Grid, que têm demonstrado apetite para consolidar operações no setor elétrico.

O “data room” com dados sobre as companhias será aberto pelo BNDES nos próximos dias. As seis empresas, que atendem um total de 4,3 milhões de consumidores em 463 municípios, serão vendidas separadamente, mas não há impede que o mesmo grupo compre mais de uma.

 

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