Mais de 2 bilhões de pessoas estão sob estresse hídrico no mundo

Até 2050 planeta terá incremento de 20% a 30% nos níveis atuais de consumo de água

Andrea Vialli

22.mar.2019 às 2h00

O planeta tem sede. Enquanto a demanda por água só cresce, reflexo do aumento populacional e da mudança nos padrões de consumo, a degradação ambiental torna os recursos hídricos cada vez menos disponíveis.

O uso da água tem crescido em todo o mundo cerca de 1% ao ano desde a década de 1980, segundo relatório mundial da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre desenvolvimento dos recursos hídricos, divulgado nesta semana em Genebra, na Suíça.

O futuro não é promissor: a demanda mundial deve aumentar até 2050, o que corresponde a um incremento de 20% a 30% nos níveis atuais de consumo.

O agravante das mudanças climáticas deixa ainda mais vulneráveis as regiões que já sofrem algum estresse hídrico —quando a demanda por água é maior do que a oferta.

Pelas contas da ONU, mais de 2 bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial, vivem em países que experimentam estresse hídrico. E não são poucos: 31 países enfrentam o problema de forma leve ou moderada. Outros 22 encontram-se em situação grave.

E o Brasil? O país que abriga 12% da água doce do mundo não está imune à escassez. Além do semiárido, as regiões metropolitanas vêm enfrentando situações agudas de crise hídrica —São Paulo em 2014 e 2015, Brasília em 2017 e Fortaleza, que já está no sétimo ano consecutivo de seca.

Não por acaso, o Brasil é o segundo país no mundo que mais buscou pelo termo “seca” no Google nos últimos 12 meses, atrás de Portugal. É o que revela o Google Trends, ferramenta que mostra os termos mais populares nas pesquisas dos internautas. Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraíba são os estados mais interessados no termo “cisterna”, sistema para captar a água da chuva.

Mas a escassez segue convivendo com o desperdício e a má gestão dos recursos. As mesmas grandes cidades que enfrentam estresse hídrico cuidam mal da água, desperdiçam o recurso nas redes de distribuição (a média de perdas é 38,2%, mas há regiões em que o índice chega a 70%) e não levam o reúso a sério.

O esgoto deveria ser visto como recurso, já que 97% dele é água e apenas 3% é carga poluente. O Brasil tem nojo de beber água tratada do esgoto, o que esconde uma miopia sobre o tema: em Israel, 70% da água consumida é de reúso.

A falta de investimento em saneamento deixa o país estagnado em índices ruins: metade da população (52,3%), ou 100 milhões de pessoas, tem acesso à coleta de esgoto. Na região Norte, essa cobertura é de sofríveis 10,2%.

O tratamento também é precário: apenas dez cidades em todo o país tratam acima de 80% dos seus efluentes. A inoperância no tema deixa o país mais longe de cumprir o objetivo de alcançar a universalização do saneamento básico em 2030, meta nacional casada com o ODS6, o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável da ONU que trata do tema.

O país deveria ter vergonha de seguir ostentando índices de saneamento básico medievais. Deveria, mas não tem.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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