Governo revê para 0,84% projeção do PIB para o ano

Valor Econômico

11/09/2019 – 05:00
Por Lu Aiko Otta e Edna Simão

O governo elevou ligeiramente, de 0,81% para 0,84%, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2019, segundo dados do Boletim MacroFiscal, divulgado ontem. As expectativas são de um avanço de 0,7% no terceiro trimestre e uma recuperação mais forte nos últimos três meses do ano.

“Acredito que setembro marca o começo de um novo período”, disse o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. Um ciclo “extremamente difícil” para a economia parece ter se encerrado no mês passado, comentou.

O otimismo é alimentado pela liberação de recursos do FGTS, efeito do corte nos juros, volta da confiança, avanço de reformas econômicas, como as da Previdência e da Liberdade Econômica, além de um conjunto de mudanças microeconômicas, como a revogação de normas regulamentadoras (NR) na área trabalhista e o aperfeiçoamento dos mecanismos do mercado de capitais.

Na visão do secretário, a retomada da atividade “sem voo de galinha” enfrenta três desafios: um importante, um urgente e outro de conjuntura. O primeiro é a recuperação da expansão da produtividade da economia brasileira. O segundo é o cenário fiscal desafiador. O terceiro, a desaceleração generalizada mundial e seus reflexos sobre o Brasil.

A produtividade da economia brasileira caiu 2,11% ao ano entre 2010 e 2017, afirmou o secretário. “Essa é uma herança maldita que este governo recebeu”, frisou. “Enquanto não resolvermos o problema da produtividade, não teremos crescimento sustentável.”

De 2006 a 2016 houve uma série de políticas econômicas equivocadas que prejudicaram “severamente” o crescimento de longo prazo. Citou como exemplo decisões como a construção de estádios de futebol. Além de serem obras caras e de prioridade questionável, são empreendimentos que até hoje demandam recursos públicos para manutenção.

Essas políticas, além de prejudicar a produtividade, provocaram “deterioração substancial” das contas públicas, com aumento da dívida e redução dos investimentos.

No campo fiscal, ele avalia que o avanço da reforma da Previdência é um ponto fundamental. No entanto, a agenda de ajuste das contas públicas é muito mais ampla.

Outro fator de incerteza é o risco de recessão mundial. O subsecretário de Política Fiscal, Marco Cavalcanti, afirmou que a desaceleração na Europa e China terá reflexos sobre o Brasil. No entanto, não é possível saber a extensão desse processo. O cenário de desaceleração mais forte aumenta a urgência das reformas estruturais, disse.

Um dos elementos para a retomada, a liberação de recursos do FGTS deverá somar R$ 40 bilhões em dois anos. “Não é uma simples liberação, é alocar o dinheiro onde ele é mais eficiente”, afirmou.

A possibilidade de receber anualmente uma parcela do fundo não deverá provocar aumento nos saques nem prejudicar o funding para habitação, saneamento e infraestrutura urbana, segundo o secretário de Política Macroeconômica da Secretária de Política Econômica (SPE), Vladimir Kuhl Teles.

Essa modalidade, disse, traz mais impacto à economia no longo prazo. Um dos efeitos é redução da rotatividade no mercado de trabalho, à medida que o saque-aniversário funciona como um 14º salário e estimula a manutenção do emprego formal.

Outro efeito de longo prazo é a expansão no crédito, uma vez que trabalhadores poderão antecipar o uso dos recursos via crédito bancário. Com a expansão dessa modalidade, é esperada redução do risco do crédito e melhora no ambiente do mercado financeiro, estimulando o crescimento.

 

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