Estatais puxarão volume de emissões, diz Santander

Por Vanessa Adachi e Maria Luíza Filgueiras – Valor Econômica

19/02/2019 – 05:00

O governo deve ser o principal responsável por movimentar o mercado de capitais brasileiro em 2019, na avaliação do Santander. “Empresas ligadas ao governo devem responder por metade ou até mais da movimentação do mercado de ofertas de ações brasileiras”, diz Paulo Mendes, chefe do banco de investimentos do Santander Brasil. Nessa conta, operações já esperadas, como a capitalização da Eletrobras, vendas de participações detidas pela Caixa e IPOs de divisões de negócios que o banco já anunciou intenção de fazer, venda de posições da carteira da BNDESPar, entre outras.

No mercado de dívidas corporativas não deve ser diferente, já que boa parte das emissões, na avaliação de executivos do banco, deverá servir para financiar concessões e privatizações na área de infraestrutura, como aeroportos, estradas, portos e ferrovias. “Conforme o governo diminui de tamanho, vai movimentar ações e dívida”, diz Jean Pierre Dupui, vice-presidente do Santander.

Os executivos do banco ressaltam que o governo vai instigar a maior parte dessas transações em infraestrutura, mas desta vez com uma mudança de postura. “O governo está mobilizando essas transações, mas para abrir espaço para investidores e mercado de capitais. Antes era o governo mesmo entrando, tomando espaço”, compara Mendes.

Para Dupui, a reforma da Previdência será um “divisor de águas” para o fluxo de capitais para o Brasil, especialmente de investidores americanos, que estão com baixa exposição a ativos brasileiros. “Vai ser um ano extraordinário, bem superior à média dos últimos anos em termos de volumes”, diz Dupui. “Para dívida e equity, 2017 foi um ano relativamente bom, 2018 foi bem restrito e esperamos um 2019 bem mais turbinado”, resume.

Se o cenário base considera a efetivação da reforma previdenciária este ano, o banco considera que há uma guinada geral na diretriz de governo que tem peso relevante no otimismo do mercado. “Esse é o primeiro governo liberal em muito tempo. Todo mundo tem falado da reforma da Previdência, mas, no campo microeconômico, desinchar o Estado será muito importante para a economia também”, diz Mendes.

No mercado acionário, embora a maior parte das ofertas de ações que estão no radar ainda sejam secundárias e com o objetivo de dar saída a acionistas ou melhorar a estrutura de capital (no caso de algumas primárias), a tendência começa a mudar. “Já começamos a trabalhar em ofertas primárias para crescimento dos negócios das empresas”, afirma o vicepresidente.

O executivo cita como principais setores o elétrico, o de serviços e o educacional. Andre Rosenblit, chefe da área de ações do banco, conta que, no encontro anual com investidores da América Latina realizado pelo banco na terceira semana de janeiro, em Miami, o Brasil despontou como destino principal dos recursos na região em enquete realizada com mais de 400 participantes.

“Há um otimismo grande com países emergentes. A Ásia é a região preferida, seguida por América Latina”, diz ele. Os ativos preferidos foram, na sequência: ações, dívida soberana, dívida corporativa e moedas. “Os investidores disseram acreditar que a reforma da Previdência será aprovada, mas apenas no segundo semestre.”

O otimismo para o mercado brasileiro considera que, apesar de a bolsa já ter subido nos últimos meses, o preço médio ainda é baixo. “Os eventos políticos positivos tendem a se refletir em três a seis anos na bolsa e o investidor tem visto oportunidade de valuation”, diz Rosenblit. “A relação entre preço e lucro no Brasil hoje é de 11,3 vezes, ante média histórica de 14 vezes.”

O banco também tem participado ativamente de emissões no mercado de dívida – tem hoje 35 mandatos de emissões nos mercados local e internacional. Segundo os executivos, há uma “curiosidade” crescente dos investidores estrangeiros sobre os próximos leilões de aeroportos, energia, rodovias e ferrovias.

Dupui acredita que, pela primeira vez, começa a ser possível no Brasil falar no conceito original de project finance – em que o projeto é financiado sem ter que colocar garantias de outros ativos ou dos participantes do projeto. “Em infraestrutura, o financiamento era basicamente BNDES e alguma coisa de mercado de capitais em debêntures de infraestrutura”, diz Dupui. “Acredito que a grande característica nova será a posição mais relevante de entes privados, tanto investidores quanto bancos privados.”

 

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