Em dois meses, BNDES quer abrir ‘caixa-preta’

Novo presidente do banco busca ‘110% de transparência’, embora instituição já venha abrindo mais dados

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 04h00

RIO – O primeiro passo do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, para abrir a “caixa-preta” da instituição, tarefa definida por ele próprio como “meta zero”, de máxima prioridade, será pesquisar sobre o tema. É necessário saber como e quando o BNDES começou a ser identificado como “caixa-preta”, disse Montezano na segunda-feira, 22, durante reunião com o senador Álvaro Dias (Podemos-PR).

 “Esperamos que, em até dois meses, até setembro, a gente possa vir aqui para a população (…) com o resultado final desse trabalho já está em curso”, disse Montezano, em transmissão em vídeo da reunião, afirmando que o nível de transparência da instituição tem de ser de 110%.

Montezano disse que Dias “foi uma das primeiras pessoas” a levantar a bandeira de transparência do BNDES. O senador pediu apoio para um projeto de lei para retirar o sigilo bancário de empréstimos que envolvam recursos públicos.

A demora em “abrir a caixa-preta”, especialmente sobre os empréstimos para obras no exterior, em países como Cuba e Venezuela, seria um dos motivos para o presidente Jair Bolsonaro ter feito críticas à gestão anterior do banco de fomento no mês passado. Joaquim Levy, que ocupava a presidência do BNDES, pediu demissão.

A tarefa de Montezano não será fácil, por duas razões: o banco já ampliou a divulgação de informações e também pelo fato de que auditorias e operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) ainda não comprovaram irregularidades envolvendo funcionários do BNDES.

Apesar das críticas de Bolsonaro, a divulgação de informações públicas sobre as operações do BNDES cresce desde a gestão de Luciano Coutinho, ainda nos governos do PT – o processo foi acelerado a partir de 2015, quando, além de valores contratados, prazos, juros e garantias dos empréstimos passaram a ser divulgados.

A partir daí, grande parte dos avanços se deu na apresentação dos dados no site do banco. Na gestão de Levy, a primeira tentativa de abrir a “caixa-preta” veio em janeiro e envolveu a divulgação da lista dos 50 maiores clientes do BNDES no site do banco. O ranking, que chegou a ser compartilhado nas redes sociais por Bolsonaro, já havia sido publicado no “Livro Verde”, lançado em julho 2017, na gestão de Paulo Rabello de Castro.

 

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