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Jailson Nascimento trabalhador e encantador das rimas populares

Entre o suor do trabalho e as atividades familiares, ele encontra tempo para criar versos e combinações linguísticas que cativam o público

Publicado em: 03/08/2012

 

Em meio a encanamentos, máquinas e bombas escorrem os versos do cordelista natalense Jailson Nascimento, há dez anos trabalha como operador de sistemas na Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Entre o suor do trabalho e as atividades familiares, ele encontra tempo para criar versos e combinações linguísticas que cativam o público pela simplicidade e rapidez de raciocínio.

 

A vocação para rimas começou quando conheceu o poeta Pedro Jacó de Medeiros, espécie de padrinho no mundo do cordel. O experiente artista abriu as portas de sua casa inúmeras vezes a Jailson. E o aprendiz de poeta era assim a plateia de um homem só, absorvendo o traquejo das concordâncias. Preparando aquele jovem para ser seu possível sucessor, Jacó agia com o propósito de manter viva a essência da cultura nordestina. O artista da Caern também bebeu em outras fontes como Zé Saldanha, Antônio Francisco e Xexéu das Lajes.

 

Além da técnica aprendida com o mestre, inspiração do dia-a-dia e criatividade por si só, foi necessário a consolidação desse dom, e isso no operador de sistemas  fica visível logo de cara, em uma rápida conversa. Como ele explica, seus versos nascem sadios e de parto normal, escorrendo como um rio e soltos como um pardal. Como efeito, Jaison confessa, em certas ocasiões sente dificuldade para desenvolver cordéis sob encomendas. Estes não possuem a espontaneidade dos que surgem de forma livre.

 

SEQUÊNCIA

 

Questionado sobre como fazia para memorizar tantos versos, ele respondeu com um sorriso no semblante: “É uma tática. Eu já vou escrevendo para memorizar, porque uma linha vai puxando a outra, ou uma palavra vai puxando a outra, aí vou guardando na cabeça, é uma questão de prática”, conta com entusiasmo. “Às vezes fico nervoso e esqueço algumas partes, mas improviso bem, fica tão natural e ninguém nota.”

 

Quanto as modernidades do tempo, Jailson admite que internet tem ofuscado um pouco a cultura regional em função dos modismos que circulam por aí, mas ao mesmo tempo tem sido um meio de divulgação, pois o que até então era acessível a poucos, hoje está disponível para todos.

 

Sua maior satisfação não são seus 40 cordéis publicados, tampouco a visibilidade que eles estão lhe rendendo e sim o orgulho que seu filho Júlio Cezar, 11, sente em relação ao seu trabalho e de já arriscar alguns rabiscos, inclinando-se também para seguir esta atividade. “Uma das minhas grandes alegrias foi o dia no qual recebi da professora dele um convite para ir a escola falar dos cordéis a turma, nunca mais vou esquecer o quanto ele me recebeu com orgulho diante dos colegas”.

Fonte: Ana Luiza Paz – ACS Caern

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