As engenharias - com destaque para a civil - vêm recebendo um sopro de vigor do aquecimento da economia e dos investimentos em infraestrutura realizados no país, com reflexos no aumento da rotatividade desses profissionais na área do saneamento.
O mercado brasileiro de mão de obra tem crescido fortemente nos últimos anos. Apesar dos percalços do mundo globalizado, a economia tem apresentado um quadro de estabilidade, os salários têm se mantido, as indústrias estão contratando mais e o setor de infraestrutura é um dos que mais crescem no país, absorvendo mão de obra especializada. É um cenário extremamente positivo, especialmente se nos lembrarmos de como era o país há 10 ou 15 anos, quando a inflação consumia boa parte dos ganhos dos assalariados e os elevados índices de desemprego, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, assombravam os profissionais.
Mas, nem tudo que brilha é tão ouro assim. As companhias estaduais de saneamento, por exemplo, têm encontrado certa dificuldade em manter o seu quadro técnico, especialmente na área da Engenharia. Muitos profissionais são absorvidos, logo que saem da faculdade, por essas companhias, que assumem o risco e os custos de uma iniciação profissional, treinando e oportunizando o desempenho das funções intrínsecas desses profissionais. De repente eles se vão, em busca de uma colocação diferente. Muitas vezes, motivados por razões que não são apenas o salário, mas a possibilidade de ascender na carreira.
É o caso dos engenheiros civis Marcelo Oliveira (33 anos) e Evelyn Corrêa (30 anos). “Eu saí porque quis crescer profissionalmente e atuar em novas áreas do mercado. Trabalhar na companhia me deu a oportunidade de aprender muito, mas eu queria ampliar meus horizontes”, explicou Evelyn, que é especialista em Análise Ambiental e, atualmente, consultora no estado do Amazonas, onde sua remuneração é 200% maior do que o salário oferecido, há três anos, por sua companhia de origem.
Foi pensando assim que Marcelo Oliveira também decidiu se desligar de uma companhia de saneamento e a buscar outra colocação. “Comecei a estudar para concursos públicos até passar em um deles. Decidi sair da companhia, recebendo um salário 35% menor. Hoje, vejo que ampliei meus horizontes e melhorei a qualidade de vida profissional”, destacou o engenheiro civil, que mora em Brasília-DF, onde trabalha em um dos organismos do governo federal.
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Fonte: Revista Sanear – Aurélio Prado
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